17 de outubro de 2017
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A importância da geometria na construção dos quadros de bicicleta

As medidas e ângulos dos tubos que compõem o quadro de uma bicicleta influenciam diretamente no seu conforto e nas suas características de pilotagem

A grande oferta de bicicletas em diferentes formatos de rodas e tamanhos de quadros costumam dificultar sua correta escolha para a maioria das pessoas. Não é raro que o comprador seja levado a adquirir um modelo baseado apenas no seu tamanho, sem levar em consideração a finalidade e o comportamento que a bicicleta terá em decorrência de sua geometria.

Conhecer mais sobre a nomenclatura, o comprimento e os ângulos dos tubos que compõem o quadro da bicicleta ajuda a determinar qual o modelo mais indicado para você.

Tubos

Um quadro de bicicleta é composto por várias partes tubulares, com diferentes tamanhos e formatos. Sejam eles ovais, elípticos ou hidroformados, utilizam a mesma nomenclatura, independente do tipo ou modelo de bicicleta. A imagem abaixo apresenta o nome de cada seguimento do quadro:

Arte: André Ramos / MTB Brasília

Já a geometria da bicicleta influencia não apenas no conforto, mas também no seu comportamento. Cada medida ou ângulo de trabalho influenciará direta ou indiretamente em características como velocidade final, arrancada, estabilidade etc.

Ângulo do tubo do selim

Arte: André Ramos / MTB Brasília

Esta medida, tomada no tubo do selim em relação ao solo, influencia diretamente na eficiência da pedalada. Hoje em dia, grande parte dos fabricantes bicicletas opta por utilizar ângulos mais fechados, de forma a a posicionar o selim diretamente sobre a caixa de centro, tornando o movimento da pedalada mais natural e eficiente.

Um tubo de selim mais projetado para a frente favorece nas subidas, enquanto que posicionar o centro de gravidade para trás deixará a bicicleta mais estável nas descidas.

Caixa de direção

Arte: André Ramos / MTB Brasília

O ângulo formado entre o solo a a caixa de direção (e o garfo ou amortecedor dianteiro) determina a agilidade da bicicleta. Ângulos muito rasos em relação ao solo potencializam o trabalho do amortecedor, tornando as descidas mais fáceis, mas por outro lado diminui a agilidade da bicicleta em trechos técnicos.

Já as bicicletas com ângulos da caixa de direção mais agudos as deixam mais eficientes nas subidas.

Como regra geral, bicicletas de Cross-Country trabalham com ângulos próximos de 70º, Trail / All Mountain utilizam Ângulos entre 66 a 68 graus, Enduro (65°) e DH (60a 65º).

Devido à sua geometria, bicicletas com rodas 29 polegadas possuem ângulos de trabalho mais agudos que as bikes 26″ e 27.5″.

Altura da caixa de centro

Arte: André Ramos / MTB Brasília

Trata-se da medida referente a altura do eixo do movimento central em relação ao solo. Uma caixa de centro baixa torna a bicicleta mais estável, já que deixa seu centro de gravidade mais próximo ao chão. Por outro lado, torna a bicicleta mais propensa a esbarrar os pedais e as coroas do pedivela em obstáculos como pedras e raízes.

Bicicletas full suspension necessitam de um movimento central mais alto que as hardtails, para compensar o movimento de sua balança traseira.

Distância entre eixos

Arte: André Ramos / MTB Brasília

Esta medida influencia diretamente na estabilidade em altas velocidades. Quanto maior a distância, maior a estabilidade e menor a arrancada.

Distância frontal

Arte: André Ramos / MTB Brasília

Trata-se da distância horizontal entre o centro do eixo do pedivela ao centro da roda dianteira. Um quadro curo aliado a um ângulo mais aberto da caixa de direção pode ter um comportamento idêntico ao de um quadro longo com a caixa de direção mais fechada, embora a posição de pilotagem seja diferente.

Chainstays

Arte: André Ramos / MTB Brasília

Os chainstays ou stays inferiores determinam não apenas o diâmetro máximo da roda, mas também o comportamento da bicicleta em determinadas situações.

O comprimento dos chainstays é medido horizontalmente entre o centro do eixo do movimento central ao centro da roda. A medida média dos chainstays é de 450mm para as bicicletas 29″ e 435mm nas 27.5″.

Ao contrário do que parece, chainstays curtos não são necessariamente algo bom, já que faz com que a bicicleta empine muito facilmente nas subidas, além de não fornecer estabilidade suficiente nas curvas. Por outro lado, stays mais longos proporcionam maior estabilidade nas descidas e ajudam a manter a parte frontal da bike abaixada nas subidas.

A diferença entre a distância frontal e o comprimento dos chainstays determina o posicionamento do ciclista em relação ao quadro (central, recuado ou avançado).

Reach

Arte: André Ramos / MTB Brasília

O reach é a distância horizontal entre o centro da caixa de direção e o centro do pedivela. Esta medida não é afetada pelo tamanho das rodas. Efetivamente, o reach determinará o grau de conforto e a posição de pilotagem do ciclista.

Um reach abaixo de 435mm (em um quadro L) deixará o ciclista mais ereto, proporcionado maior conforto e menor estabilidade. Já um reach longo deixará o ciclista mais projetado para a frente e abaixará seu centro de gravidade, aumentando a estabilidade.

Tubo superior

Arte: André Ramos / MTB Brasília

A maneira correta de se determinar a distância do tubo superior é medindo horizontalmente o quadro do centro da caixa de direção ao centro da parte superior do canote do selim. Este tipo de medição é mais efetiva do que simplesmente medir as extremidades do tubo superior, já que quadros com ângulos muito agudos (slopped) podem apresentar uma distância curta entre o selim e a caixa de direção, mesmo tendo um comprimento grande.

Tubo inferior ou diagonal

Arte: André Ramos / MTB Brasília

Ao contrário da medição realizada ao longo do tubo superior, a medida do tubo inferior ou tubo diagonal, como alguns a chamam, determina precisamente o real tamanho do quadro e se o mesmo é o indicado para você.

Ao comprar uma nova bike, confira o comprimento do tubo inferior medindo a distância entre o centro do pedivela até o centro da parte inferior da caixa de direção e verifique se a medida é próxima da sua bike antiga. Mas atenção!! Isto só vai funcionar se as duas bicicletas possuírem o mesmo formato de rodas.

Sobre o autor

André Ramos é editor do website MTB Brasília
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