26 de maio de 2017
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Estudo sugere que caramanholas podem ter mais germes que vasilha para cachorro

Pesquisadores verificaram presença de, em média, 313 mil colônias de bactéria por cm², seis vezes mais do que as presentes na vasilha de seu bicho de estimação

Ainda que aparentemente limpa de uso pessoal, as tradicionais soluções de hidratação para esportistas, na forma de garrafas do tipo squeeze e mochilas de hidratação podem causar uma série de problemas de saúde graças à presença de bactérias, germes e fungos. Esta é a conclusão de uma pesquisa encomendada pela Treadmill, empresa norte-americana especializada na venda de acessórios esportivos.

Para a realização do estudo, a empresa contratou um laboratório independente para testar a presença de bactérias em garrafas de água reutilizáveis, utilizadas sem lavar durante uma semana por 12 atletas.

A conclusão não poderia ser mais assustadora: Os pesquisadores verificaram a presença de uma grande quantidade de germes, dos quais 60% podem causar doenças. Em média, cada squeeze tinha 313 mil colônias de bactéria por cm², cerca de seis vezes mais do que o número presente em um pote de água para cachorro.

Segundo professor de Infectologia da PUC-SP, Dr. Fernando Ruiz, os principais responsáveis por essa proliferação bacteriana são a boca e as mãos, além do contato com elementos externos como terra, poeira e detritos, no caso de caramanholas e mochilas de hidratação utilizadas por ciclistas.

“O contato com a boca humana municia constantemente o acúmulo de bactérias nesses recipientes”

“O contato com a boca humana municia constantemente o acúmulo de bactérias nesses recipientes. Estudos históricos mostram que passam de 700 as espécies já descritas”, afirma Ruiz.

Embora pareça alarmante em um primeiro momento, Ruiz ressalta que apenas a presença de germes não costuma ser decisiva para que o atleta adoeça. Feridas na boca como gengivite, cárie e aftas, além da presença de placa bacterianas, facilitam que a bactéria caia na corrente sanguínea e cause doenças como pneumonia, diarreia ou infecções graves. A imunidade baixa causada por doenças como diabetes também facilita que uma enfermidade se manifeste.

Higienização – De acordo com especialistas em infetologia, a melhor maneira de se prevenir de problemas é a correta e constante higienização da garrafa e do refil de hidratação.

“Este tipo de acessório deve ser lavado com água e sabão neutro, sempre logo após o uso e muito bem enxaguada para não sobrar resíduos de sabão”, diz a infectologista Rubia Miossi. “Para evitar que fungos e bactérias proliferem, a garrafa deve estar completamente seca antes de ser guardada”, completa.

“Para evitar que fungos e bactérias proliferem, a garrafa deve estar completamente seca antes de ser guardada”

Além da água e do sabão, produtos químicos comumente utilizados na higienização de recipientes de água potável como hipoclorito de sódio (uma colher por litro de água por cerca de 20 minutos) podem ser utilizados para eliminar germes e bactérias. Por outro lado, deve-se evitar o uso de água fervente, principalmente nas garrafas de plástico, já que pode ocorrer a liberação de substâncias tóxicas. Observe principalmente as fissuras e a tampa da garrafa, onde a sujeira se acumula com mais frequência.

Além disso, Fernando Ruiz ressalta que o melhor é utilizar água de fontes confiáveis e manter o recipiente longe do sol – uma vez que altas temperaturas favorecem a proliferação de germes.

Por outro lado, não se deve levar mais que 3 horas para beber todo o líquido da garrafa, pois as bactérias se multiplicam com rapidez.

Maiores riscos – Segundo o estudo, as garrafas de água reutilizáveis que possuem tampa do tipo deslizável –  as chamadas slide top -, foram as que concentraram a maior quantidade de bactérias. Já as do tipo squeeze, comumente usadas por ciclistas, acumularam mais bactérias danosas à saúde, que podem causar diarreia, pneumonia e infecção generalizada.

Com uma quantidade parecida de germes, as garrafas com tampa de atarraxar têm o problema parecido com a squeeze: a dificuldade de limpar onde a pessoa coloca a boca.

Os especialistas ressaltam que garrafinhas transparentes e com a boca mais larga são mais adequadas para uso esportivo, já que é possível ver o que está acumulado dentro dela e limpar com escova ou esponja. Por outro lado,  garrafas de aço inoxidável são melhores do que as de plástico, já que possuem a superfície mais lisa e, teoricamente, menos propensa para aderência das bactérias, embora também precisem ser lavadas após o uso, com água e sabão após o uso.

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