19 de agosto de 2017
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Lubrificantes para cabos e conduítes Puroil Bike Vegelub/Vegegrease

Graxa biodegradável do fabricante brasileiro promete prolongar a vita útil de cabos e conduítes de transmissão de bicicletas 

Um dos principais motivos para falhas na troca de marchas em transmissões mecânicas de bicicletas é a presença de sujeira ou falta de lubrificação em seus cabos e conduítes. Embora a grande maioria dos conduítes de boa qualidade já venha de fábrica pré-lubrificados, como é o caso do modelo SIS-SP41 da marca japonesa Shimano e do Sport Shift Housing, da taiwanesa Jagwire, fatores como sujeira, umidade e falta de manutenção podem prejudicar o correto movimento dos cabos em seu interior.

Embora este tipo de componente possua um baixo custo, muitas vezes a ausência de opções de boa qualidade nas lojas de bicicleta justifique sua relubrificação interna, de forma a prolongar sua vida útil, ainda que por um curto espaço de tempo. Além disso, nem todos os conduítes disponíveis no mercado vem pré-lubrificados, o que justifica o uso de lubrificantes especiais para esta finalidade.

Graxa Puroil Vegegrease (pote de 100 gramas)
Graxa Puroil Vegegrease (pote de 100 gramas)

Entre as diversas opções do mercado, destaca-se a linha Vegelub/Vegegrease, da brasileira Puroil, que promete dar vida nova a cabos e conduítes, reduzindo os níveis de atrito entre os mesmos, o que resultaria em aumento do desempenho na troca de marchas. Fomos conferir para ver se é verdade.

Características de um bom lubrificante para cabos e conduítes – Basicamente, um bom lubrificante para cabos e conduítes precisa possuir algumas características básicas: baixo nível de viscosidade ou consistência, resistência à água e proteção contra oxidação.

Uma graxa de viscosidade média ou alta irá interferir diretamente no livre movimento do cabo no interior do conduíte, prejudicando a troca de marchas. Já a proteção contra água e resistência à oxidação são particularmente úteis em bicicletas mountain bike, mais expostas às intempéries e à sujeira que as bikes de estrada.

Apresentação – Composta por três versões distintas – uma bisnaga de 15ml para uso ‘doméstico’, uma versão em spray com 140ml e um pote de 100 gramas para uso em oficinas, a linha Vegelub/Vegegrease, da Puroil possui características distintas no conteúdo de cada embalagem. Na bisnaga, a aparência do produto é de um líquido que se solidifica em contato com o ar, o que facilita sua aplicação por ciclistas com um mínimo conhecimento de mecânica. Neste caso, basta desconectar o cabo de marcha do câmbio, puxá-lo para fora do conduíte e aplicar uma dose generosa ao longo do mesmo, com a ponta dos dedos indicador e polegar.

Indicado para ser utilizado diretamente no interior do conduíte, a versão em spray vem com um canudo plástico que facilita a operação, que ainda tem a vantagem de expulsar por pressão quaisquer partículas de sujeira que por ventura estejam alojadas em seu interior. Entre as três versões do produto, considero a de uso mais prático.

Além das versões acima, a Puroil disponibiliza uma versão para uso em oficinas, apresentada em um pote de 100 gramas. Em um primeiro momento achei a mesma muito ‘pegajosa’ para uso em cabos, mas evitei chegar a alguma conclusão antes de iniciar os testes.

A versão em pote de 100 gramas apresentou uma consistência maior do que a normalmente encontrada em lubrificantes para cabos

O teste – Para a realização do teste dos produtos, utilizei cabos de aço inox da marca Shimano, modelo Y60030014, de uso recreacional/intermediário, em conjunto com conduítes Shimano SIS-SP41 e Alligator, da linha Basic. A título de comparação de resultados, utilizei em em outro conjunto de cabos e conduítes dos modelos citados as graxas Shimano Special Grease SIS-SP-41 e Slickoleum, indicadas para este tipo de uso.

A bicicleta utilizada conta com um roteamento inteiriço do conduíte (sem emendas), mais propício para a utilização deste produto já que, em bikes que utilizam conduítes seccionados, o cabo fica exposto, permitindo a contaminação da graxa com terra e sujeira.

Aplicação do produto – Tanto a versão em bisnaga quanto a em spray possibilitaram a aplicação tanto ao longo do cabo de marchas quanto diretamente no orifício do conduíte, com uma vantagem óbvia do aerosol, devido à pressão da lata, que força a graxa em sua forma líquida a se espalhar ao logo de seu interior. Já a versão em pode só permite sua aplicação diretamente no cabo de aço.

Tanto a versão em bisnaga quanto a em spray possibilitaram a aplicação tanto ao longo do cabo de marchas quanto diretamente no orifício do conduíte
Tanto a versão em bisnaga quanto a em spray possibilitaram a aplicação tanto ao longo do cabo de marchas quanto diretamente no orifício do conduíte

Já na aplicação da versão em pode, deparei-me com um problema: sua alta viscosidade muitas vezes ‘grudava’ o cabo de marchas no conduíte de forma comprometer seu deslizamento. O mesmo ocorreu quando a utilizei no cabo de acionamento da suspensão dianteira, que ficou mais duro com a plicação do produto. Embora isto não tenha ocorrido nas versões mais líquidas do produto, causou-me certa estranheza que um produto desenvolvido justamente para reduzir o atrito entre cabos e conduítes tenha resultado justamente no contrário!

Condições de uso – A linha Puroil Vegelub/Vegegrease foi utilizada durante dois meses, em clima seco e poeirento e na chuva. Nessas condições, pude constatar uma ligeira melhora nas condições de troca de marcha em conduítes velhos, embora longe da performance obtida pela troca dos mesmos por cabos e conduítes novos.

Custo x benefício – Atualmente, a linha Puroil Vegelub/Vegegrease é comercializada ao preço de R$ 31,99 (bisnaga de 15ml), R$ 69,90 (versão em spray) e R$ 119,00 (pote de 100 gramas). Na minha opinião, o melhor custo x benefício entre as três versões é, sem dúvida, a em spray, por sua capacidade de ser aplicada diretamente no interior do conduíte e expulsar por pressão eventuais sujidades em seu interior.

Conclusão – Apesar do apelo da linha Vegelub/Vegegrease que apregoa um prolongamento da vida útil dos cabos e conduítes de marcha e freios, a melhor solução para ‘renovar’ o conjunto de transmissão de sua bicicleta sempre será a substituição dos cabos e conduítes velhos e desgastados por modelos novos e de boa qualidade.

Na impossibilidade de fazê-lo e levando-se em consideração que um bom conjunto de cabos e conduítes de marcha custa, no mínimo 150 reais, é possível de fato dar uma melhorada nas condições da transmissão de sua bike através de uma boa lubrificação, embora não se deva esperar por milagres.

Lubrificantes para cabos e conduítes Puroil Bike Vegelub/Vegegrease

Facilidade de uso
Eficiência
Durabilidade pós-aplicação
Preço

Regular!

Prolonga a vida útil de cabos e conduítes velhos e ressecados, mas não faz milagres...

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Pontos positivos

  • Facilidade de uso;
  • Biodegradável e atóxica;
  • Não ataca peças plásticas e o-rings de borracha;
  • Permite um prolongamento da vida útil dos cabos e conduítes de marcha e freios;
  • Versão em spray permite uma aplicação mais eficiente;
  • Três versões de uso.

Pontos negativos

  • Dependendo das condições dos cabos e conduíte, compensa mais substituí-los;
  • Versão em pasta possui uma viscosidade muito alta, que pode interferir na troca de marchas;
  • Preço.

Sobre o autor

André Ramos é editor do website MTB Brasília
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