25 de setembro de 2026
Abraciclo
Foto: Divulgação / Abraciclo / Sense Bikes

Impactada pela falta de insumos, produção de bicicletas no Brasil segue em queda

Produção de bikes no Polo Industrial de Manaus registra em 2022 queda de 20,1% em comparação com o ano anterior

A produção de bicicletas das fabricantes instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus) registrou queda de 20,1% no ano passado. De acordo com dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – Abraciclo, 599.044 unidades saíram das linhas de montagem. Em 2021, foram produzidas 749.320 bicicletas.

Segundo o vice-presidente do segmento de bicicletas, Cyro Gazola, as áreas de logística, compras e produção enfrentaram o seu ano mais desafiador. “Além do desabastecimento de peças e componentes, tivemos que ajustar o planejamento das unidades fabris para nos adequar à nova demanda do mercado, que pediu por modelos de médio e alto valor agregado”, explica.

Linha de montagem das bicicletas Oggi, em Manaus – Foto: Divulgação / Abraciclo

Apesar desses ajustes nas linhas de produção, os estoques nas lojas e nos centros de distribuição continuaram abastecidos para atender ao consumidor. O executivo destaca que o segmento atingiu o seu auge durante a pandemia do coronavírus, quando a bicicleta se tornou a grande parceira para o lazer, nos deslocamentos e na interação com a família.

Produção de bicicletas no PIM

Janeiro a dezembro de 2021Janeiro a dezembro de 2022%
Unidades749.320599.044-20,1

Fonte: Associados Abraciclo

Dentro desse contexto, a bicicleta elétrica foi o grande destaque e única categoria que registrou alta no volume de produção. No ano passado foram produzidas 10.847 unidades, aumento de 5,4% na comparação com 2021 (10.294 bicicletas). Apesar de representar 1,8% do volume total de bicicletas produzidas no Polo de Manaus, o modelo está cada vez mais presente nas grandes cidades. “As pessoas que optam pelo pedal buscam um estilo de vida mais saudável e em sintonia com o meio ambiente. A bicicleta elétrica facilita isso, oferecendo agilidade nos deslocamentos e comodidade para vencer os obstáculos do percurso”, explica o vice-presidente do segmento de bicicletas.

Produção de bicicletas no PIM

CategoriaJan a dez 2021%Jan a dez 2022%Diferença
MTB465.09562,1%373.50162,3%-19,7%
Urbana / Lazer196.78426,3%156.01926,0%-20,7%
Elétrica10.2941,4%10.8471,8%-5,4%
Estrada15.1452,0%10.2391,7%-32,4%
Infanto-juvenil62.0028,3%48.4388,1%-21,9%
Total749.320100,0%599.044100,0%-20,1%

Fonte: Associados Abraciclo

A região que mais recebeu bicicletas produzidas no PIM foi a Sudeste, com 366.198 unidades e 61,13% do total fabricado. Na sequência do ranking vieram as regiões Sul (104.616 bicicletas e 17,46% da produção), Nordeste (58.514 unidades e 9,77%), Centro-Oeste (38.808 bicicletas e 6,48%) e Norte (30.908 unidades e 5,16%).

As exportações fecharam o ano com 29.484 unidades, volume 3,8% superior ao embarcado em 2021 (28.414 bicicletas). Os países do MERCOSUL foram o principal destino, segundo levantamento do portal Comex Stat, que apura os embarques totais de cada mês, analisados pela Abraciclo. O Paraguai ficou em primeiro lugar, com 19.691 unidades recebidas e 66,8% do total exportado. Na sequência, ficaram Uruguai (4.657 bicicletas e 15,8% dos embarques) e a Bolívia (2.340 unidades e 7,9%).

Resultados em dezembro – Em dezembro, a fabricação de bicicletas totalizou 14.580 unidades, volume 42,5% menor ao registrado no mesmo mês de 2021 (25.370 bicicletas) e 72,6% inferior em relação a novembro (53.134 unidades).

Abraciclo
Foto: Divulgação / Abraciclo / Sense Bikes

A categoria mais produzida foi a Urbana/Lazer, com 5.892 unidades e 40,4% do volume total fabricado. Em segundo lugar, ficou a Mountain Bike (MTB), com 5.109 unidades e 35,0% da produção, seguida pela Infantojuvenil (1.764 bicicletas e 12,1%).

Veja como ficou o ranking mensal de produção:

Produção de bicicletas no PIM

Dezembro/21Novembro/22Dezembro/22Comparativo
CategoriaA%B%C%C/AC/B
MTB19.42976,6%34.29364,5%5.10935,0%-73,7%-85,1%
Urbana/Lazer4.48917,7%13.24224,9%5.89240,4%31,3%-55,5%
Elétrica9263,6%6451,2%1.0677,3%15,2%65,4%
Estrada4261,7%1.4442,7%7485,1%75,6%-48,2%
Infanto-juvenil1000,4%3.5106,6%1.76412,1%1664,0%-49,7%
TOTAL25.370100,0%53.134100,0%14.580100,0%-42,5%-72,6%

Fonte: Associadas Abraciclo

A região Sudeste foi a que recebeu o maior volume de bicicletas fabricadas no PIM. No total, foram enviadas 11.429 unidades, o que corresponde a 78,4% da produção. Na sequência, ficaram o Nordeste (1.182 unidades e 8,1% do total fabricado), Sul (1.031 bicicletas e 7,1%), Centro-Oeste (605 unidades e 4,1%) e Norte (333 bicicletas e 2,3%).

No último mês do ano passado, foram exportadas 2.278 bicicletas, retração de 54,1% na comparação com dezembro de 2021 (4.959 unidades) e de 62,5% em relação a novembro (6.067 bicicletas).      As posições do ranking anual foram mantidas: Paraguai (1.487 unidades e 65,3% das exportações), Uruguai (337 bicicletas e 14,8%) e Bolívia (334 unidades e 14,7%).

Projeções 2023 – A Abraciclo estima que a produção de bicicletas em 2023 deverá totalizar 570.000 unidades, o que representa uma retração de 4,8% na comparação com o ano passado (599.044 bicicletas). “Ainda teremos muitos desafios pela frente, por isso nossa perspectiva é bem conservadora”, diz Gazola. O executivo reforça que um dos principais focos será a readequação do abastecimento das linhas de produção dos modelos de médio e alto valor agregado para atender ao novo perfil do consumidor.

Ao avaliar o mercado, o vice-presidente do segmento de bicicletas acredita que uma série de promoções deverão ser realizadas no primeiro semestre para diminuir os estoques. “Tanto a indústria como os lojistas precisam melhorar a gestão e o fluxo do caixa”, afirma.

Produção de bicicletas no PIM

CategoriaRealizado 2022Projeção 2023Variação
MTB373.501344.000-7,9%
Urbana / Lazer156.019126.000-19,2%
Elétrica10.84714.00029,1%
Estrada10.23916.00056,3%
Infanto-juvenil48.43870.00044,5%
Total599.044570.000-4,8%

Fonte: Associados Abraciclo

Gazola prevê que o segmento das bicicletas elétricas deverá seguir em alta. “O custo para o consumidor ainda é alto. Seria interessante criar incentivos para a aquisição do produto como já acontece em alguns países da Europa”, propõe. “Com isso, teríamos ganho de escala e a tendência de preços mais competitivos”, completa.

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